A vida se mostra mais efêmera e fugaz. Viver se torna um desafio cada vez maior, em que cada dia se parece com uma mesa de apostas, ou uma brincadeira de roleta russa. Hoje somos, estamos e pretendemos. A qualquer momento tudo muda, tudo perde o sentido, tudo toma outra dimensão.
Como saber a forma certa de viver? O que fazer para melhorar? Por que precisamos da dor para aprender e apreender? Vivemos abismos emocionais, em que cada dia estamos mais isolados dos outros e de nós mesmos. Não sobra tempo para nada; nem para descobrir o outro. Gostamos do isolamento, da parceria com o smartfone. Somos autosuficientes com nossos telefones em punho. A certeza do vazio preenchido, sempre.
São tantas as possibilidades, mas ao contrario, ficamos cada vez mais confinados, dominados por uma pressão sem justificativa, sem explicação. A velocidade com que passa o dia é algo impressionante. Raras são as vezes que conseguimos capturar o tempo e fazê-lo render. Quase sempre são naqueles momentos raros, de dor, quando decidimos dar uma desacelerada, até por proteção, muito mais por necessidade do que por intenção.
Quando descobrimos algo que nos traz dor, tudo muda. As cores mudam; as perspectivas mudam; nossas intenções mudam; nossos julgamentos mudam. Tudo perde o sentido, toma outro valor. E quando esse “algo” não está sob nosso comando, sob a possibilidade de mudança, gera promessas, palavras de fé, agrega, transforma.
Por que precisamos da dor para aprender? Equilíbrio não traz aprendizado? Não. Até os monges aprendem pela dor. A dor da falta, da disciplina, da solidão. Será que é uma questão de endorfina e adrenalina? Pode ser. Endorfina entorpece; adrenalina esclarece. Rimou. Bom para os ouvidos.
Se eu pudesse fazer uma promessa para mim mesma, que não fosse quebrada ou esquecida, o que sempre será, num momento ou outro, eu prometeria aprender pelo amor. Mas inteligente...



